Toro abre novas portas para a Fiat
Diminuir fonte Aumentar fonte
Da Redação
Motor1
Fiat Toro 2017
Fiat Toro 2017
Fiat Toro 2017
Fiat Toro 2017
Fiat Toro 2017
Fiat Toro 2017
Fiat Toro 2017

Há mais de oito anos, a Fiat tinha planos de lançar uma picape média no Brasil, sabendo do potencial deste nicho de mercado, mas não tinha know-how para fazer isso sozinha. Tentou se associar à GM, aos chineses e aos Indianos da Tata, mas nenhuma destas opções deu certo. Veio então, o casamento com o grupo Chrysler, que trouxe a Jeep na bagagem.

Neste momento, os planos passaram a ser mais ambiciosos: lançar uma picape que pudesse ser vendida também na Europa. Para isso, a Fiat usou a base estrutural e mecânica do Jeep Renagade, aumentou o entre-eixos, esticou a traseira, criou um visual próprio, que não lembra em nada o Jeep e muito menos os Fiat atuais e... voila: nasceu a primeira picape média da Fiat em todo o mundo, a Toro.

Com 4,91m de comprimento, a Toro é 44 cm maior que a Strada e 43cm menor que a S-10, se encaixando exatamente no “buraco” que existe entre as picapes pequenas e as gigantes. Tem um porte semelhante ao das primeiras S-10 e Ranger que chegaram por aqui nos anos 90, mas que foram crescendo a cada nova geração, até se tornarem enormes.

Sem dúvida, o que vai chamar a atenção num primeiro momento é o estilo da Toro. Diferente de tudo que já se viu na linha Fiat, tem um “quê” de Jeep Cherokee, com o conjunto de iluminação dianteiro dividido em três “andares” e uma traseira que também inova pelo formato das lanternas e a tampa que se abre lateralmente em duas partes, facilitando o acesso ao compartimento de cargas. Aliás, o espaço para carga/bagagens é generoso, com 820 litros de capacidade, embora seja pouco mais que a metade de uma S-10, é bem mais do que cabe nas picapes derivadas dos carros pequenos.

Mecanicamente, a Toro usa os mesmos motores disponíveis no Renegade, com tudo de bom e de ruim que estas escolhas trazem: De um lado, temos o fraco 1.8 flex, de origem Fiat, foi retrabalhado para render 139 cv (contra 132cv no Jeep) e pode vir acoplado ao câmbio automático de seis marchas e tração 4x2. Com este motor, a Toro pode carregar 650 kg de carga. No outro extremo, temos o mais moderno e adequado 2.0 Multijet turbodiesel de 170cv, disponível com o câmbio manual de 6 marchas e tração 4x2 ou 4x4 e o automático de 9 marchas, só com tração 4x4. . Com o motor diesel, ela pode carregar 1000 kg entre carga e passageiros. Existem planos de ofertar no Brasil os motores à gasolina da linha Tigershark de origem Chrysler mas, por enquanto, o jeito é se contentar com o subdimensionado 1.8 que também equipa os Fiat Weekend, Dobló e Strada e o Jeep Renegade.

As versões de acabamento inicialmente serão apenas duas: Freedom e Volcano, sendo que esta última, mais completa, só está disponível com motor diesel. Desde a versão mais simples, a Toro vem bem equipada: vidros, travas, espelhos e direção elétricos, controle eletrônico de estabilidade, ar condicionado, dois airbags, computador de bordo, rodas de alumínio aro 16 e faróis de neblina são de série nesta versão. A Volcano acrescenta rodas 17, central multimídia, faróis de neblina direcionais, seis airbags, lanternas dianteiras e traseiras em led, ar condicionado dual zone e cobertura da caçamba. Também internamente, a Toro se posiciona em uma nova faixa de mercado: bem mais espaçosa que Strada e Saveiro, mas menor que S-10 e cia.

O acabamento é bom, porém menos sofisticado que o do Renegade. Normal, afinal a Toro é um Fiat e o Renegade é um Jeep... Em preços o novo Fiat vai abranger uma larga faixa de mercado: começa em R$ 80 mil na versão Freedom 1.8 4x2, e vai até mais de R$ 120 mil da versão Volcano Diesel 4x4 automática, sendo que este valor ainda pode subir em função dos opcionais.

Muito tem se falado se a Renault Duster Oroch é concorrente da Fiat Toro. A resposta é complexa: pode ser sim ou não, dependendo do ponto de vista. Quando se considera a proposta de uma picape de estrutura monobloco, maior que as picapes pequenas e derivada de um utilitário esportivo, a resposta é sim. No entanto, quando se analisa o preço, o maior porte e o motor diesel da Toro, a resposta é não. A Duster Oroch mais cara hoje disponível custa R$ 80 mil, exatamente onde está a Toro mais simples. Vamos aguardar as versões 4x4 da Oroch, que chegarão em breve ao mercado.

Em pouco mais de seis meses de vendas, a Toro já conquistou a vice-liderança geral entre os utilitários, ficando atrás somente da sua "irmã" Strada. Parece que  a rede de concessionários Fiat está sabendo “trabalhar” a Toro. Eles nunca tiveram um carro tão caro, tão tecnológico e muito menos tão diferente para vender.

Qualidades, sem dúvida, o carro tem muitas.

 

Paulo Bergamini - Motor1